sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

Escola é... poema de Paulo Freire



... o lugar que se faz amigos.
Não se trata só de prédios, salas, quadros,
Programas, horários, conceitos...
Escola é sobretudo, gente
Gente que trabalha, estuda
Que alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente,
O Professor é gente,
O Coordenador é gente,
O aluno é gente,
Cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor
Na medida em que cada um se comporte
Como colega, amigo, irmão.
Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”
Nada de conviver com pessoas e depois,
Descobrir que não tem amizade a ninguém.
Nada de ser como tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só estudar, não é só trabalhar,
É também criar laços de amizade,
É criar ambiente de camaradagem,
É conviver, é se “amarrar nela”!
Ora é lógico...
Numa escola assim vai ser fácil!
Estudar, trabalhar, crescer,
Fazer amigos, educar-se, ser feliz.
É por aqui que podemos começar a melhorar o mundo.

Paulo Freire

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Planejamento estratégico e visão além do horizonte

Como enxergar além do horizonte? Procurando responder essa pergunta vamos traçar algumas ideias sobre esse questionamento, na qual é fundamental nos dias de hoje.




Passamos por diversos problemas em nossa vida e em todo o percorrer de nossa jornada. Saber superá-los é fundamental. Em muitos casos, saber olhar além do horizonte é essencial para obtenção de um planejamento estratégico.

Traçar metas e criar um propósito de vida faz se necessário em uma vida cada vez mais complexa e exigente de nós mesmos. As cobranças vem de todos os lados. A vida pessoal de cada pessoa deve ser bem analisada, objetivando atingir à curto, médio e longo prazo realizar seus objetivos. Toda vida que não é observada, ou questionada se torna uma folha levada ao vento. 

Tudo na vida passa. Contudo, as minhas escolhas e decisões fazem eu estar a onde eu quero estar. Então, perguntar o que você quer por estar vivo? Faz o sentido da qual você irá buscar. 

Bom, vamos lá! Separei três passos resumido para a compreensão do tema.

01) Transformar os erros em aprendizagem

Nunca é tarde para adquirirmos consciência dos nossos erros e acertos. Substitua a palavra erro por aprendizagem. Nós estamos em constante aprendizagem, tudo na vida aprendemos. Portanto, para aprender deve se enxergar os erros. Pergunto-lhe: Quais tem sido seus erros? Pense e reflita!

Os seus erros dirão quem você está se tornando. Lembre-se! Os seus erros não é quem você é!

Você é o que você decide se tornar, por isso nunca é tarde para aprendermos algo novo, iniciarmos um estudo, uma leitura, aprendermos uma nova língua ou praticarmos a própria língua materna. Apenas na morte deixaremos de estar em movimento de produção de conhecimento. O primeiro ponto então , é nós adquirirmos consciência que precisamos de mudança. Se nós não percebermos que precisamos evoluir, crescer, como vamos enxergar além do horizonte?

02) Objetivos pela qual devo lutar

Na visão atual veremos as coisas embaçadas ou sem cor. Veremos um sol que não reluz e uma lua que não brilha no decorrer da noite. Mas assim, como a lua e o sol passam a vida ocorre e o que fazemos dela é o que nos torna capaz de realizar nossos objetivos. Porém, defina quais são seus objetivos. Objetivo precisa ser específico, para que ele seja alcançado, sempre a curto, médio ou longo prazo. 

A nossa visão atual não é o que nós somos. Através desse olhar clínico, verificando os meus erros e acertos, obtendo racionalmente como devo agir. Assim vai se construindo o projeto de vida. 

Visão além do horizonte é a capacidade de enxergar o futuro como quero que ele seja. Planejamento é a estratégico  é a capacidade de traças objetivos, metas a curto, médio e longo prazo para chegar onde desejo estar.

Não é fácil, mas a vida não se trata de ser fácil ou difícil. Existe aqueles que se superam e aqueles que que não se superam. Posso fazer parte da mudança e ser um indivíduo melhor, ou apenas posso continuar estagnado. 

03) Atitude para mudar

Se você compreende o que estamos tratando e em sua mente já travou uma batalha sobre si mesmo, esse é o real objetivo onde queremos chegar. No entanto, tudo que você pensou e projetou ou traçou, suas metas e objetivos se não sair do cognitivo e/ papel será apenas um sonho adormecido não realizado. Para que o projeto de vida aconteça precisa-se do fator principal a energia que move essa máquina. Essa energia ou fator se chama ATITUDE. 

Precisa-se de muita atitude para mudar, ressignificar dar outro sentido, um propósito novo em outras palavras começar pela sua mente enxergar novos horizontes e planejar atingi-los. 

Ação é tudo nesses momentos, deixar as emoções de lado ou ao menos que não te controle pelo o calor passageiro. Pensar, refletir e agir. Não ser vítima das circunstâncias da vida, vencer os próprios medos possuir autonomia o suficiente para se encorajar e buscar objetivar que seu projeto de vida. Sempre buscando externar do papel e teoria levando para a prática da vida. Só lendo esse texto você não conseguirá ao menos buscar colocar em prática. 

Desejo-lhe mudanças vindouras positivas em sua vida. Que essas palavras contidas nesse texto faça parte de algo extraordinário vindo até você. Digo mais, algo extraordinário que você está prestes à construir ou já construindo.


"Além do horizonte deve ter
Algum lugar bonito pra viver em paz
Onde eu possa encontrar a natureza
Alegria e felicidade com certeza..."

"...Além do horizonte existe um lugar 
Bonito e tranqüilo pra gente se amar..."

Roberto Carlos E Erasmo Carlos

Robertos Carlos em Jerusalém - Além do Horizonte



Por Jabner Gonçalves de Lima

quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

Documentário: A loucura entre nós

Quais os limites da nossa sanidade? O que nos define como “normais”? “A Loucura Entre Nós”, filme dirigido por Fernanda Fontes Vareille, lança um olhar sobre os corredores e grades de um hospital psiquiátrico, buscando personagens e histórias que revelam as fronteiras do que é considerado loucura. Por meio, principalmente, de personagens femininas, o documentário exala as contradições da razão, nos fazendo refletir sobre nossos próprios conflitos, desejos e erros. Livremente inspirado no livro homônimo do médico psiquiatra Marcelo Veras, o filme faz um sensível mergulho nos paradoxos da reinserção da loucura no mundo em geral, subvertendo qualquer tentativa de reduzir as personagens retratadas a marionetes de questões envolvendo a sanidade mental.



Assista ao trailer:



Direção: Fernanda Vareille
Título original: A Loucura Entre Nós
País de origem: Brasil
Gênero: Documentário
Duração: 75 minutos
Ano: 2015 


Sinopse
Através dos corredores e grades de um hospital psiquiátrico, busca-se personagens e histórias que revelem as fronteiras do que é considerado loucura. Por meio de, principalmente, personagens femininos, o documentário exala as contradições da razão nos fazendo refletir nossos próprios conflitos, desejos e erros.

Fonte: AdoroCinema

Crítica
Os caminhos pelos quais a narrativa do documentário A Loucura entre Nós percorre são tão impressionantes, que até mesmo a cineasta Fernanda Vareille não tinha como prever o que aconteceria às suas personagens. Filmando durante três anos dentro do Hospital Psiquiátrico Juliano Moreira, em Salvador, a diretora capturou um retrato intenso a respeito da linha tênue que separa a sanidade da doença mental. Para tanto, duas mulheres de origens e vivências totalmente distintas nos são apresentadas, além de termos contato com depoimentos de outros internos daquele hospital, colocando assim em cheque qualquer conceito pré-concebido a respeito da dita “normalidade”.

Baseado livremente no livro homônimo escrito pelo médico psiquiatra Marcelo Veras, A Loucura entre Nós inicia como um documentário padrão, nos mostrando a instituição que será abrigo da produção e os internos que lá habitam. O primeiro ato é mais voltado para o cotidiano daquele local, mostrando também o trabalho da ONG Criamundo, que tinha suas atividades dentro dos portões daquele hospital e tem como objetivo recolocar pacientes com problemas psiquiátricos no mercado de trabalho. O filme ganha real força quando a narrativa passa a destacar as duas personagens mais impressionantes desta história: Leonor e Elisângela.
Elisângela nos é apresentada aos gritos. Visivelmente transtornada, clamando por trabalho e por dignidade, é internada no hospital onde já havia estado em um passado não muito distante. Medicada e com seu caso acompanhado de perto, apresenta melhora no decorrer de sua trajetória. Leonor, por outro lado, quando surge na tela, parece ser uma das cabeças da ONG. É ela quem serve como cicerone do local, mostrando algumas das realidades do hospital e de seus pacientes. No entanto, com o andar da história, começamos a perceber que existe algo a incomodando. Alguns surtos, alguns momentos de profunda tristeza, outros de euforia. Leonor pode ter mais em comum com Elisângela do que podíamos prever de início. O destino das duas se conecta e bifurca, nos mostrando uma impressionante inversão de papéis.
O documentário de Fernanda Vareille é ímpar por apresentar estas histórias de forma muito sensível, dando visibilidade a personagens até então escondidos, esquecidos. Além das duas “protagonistas”, temos contato com outros internos que tem muito a dizer, mas que simplesmente não são ouvidos por causa de sua condição psiquiátrica. Por dar voz a estas pessoas, A Loucura entre Nós já seria um filme de validade incontestável. Mas o documentário ainda faz mais. Com sua narrativa instigante, mostra o retrato do descaso, mas não de forma piegas ou repleta de coitadismos. Consegue incluir até um pouco de humor, mas de forma muito bem trabalhada, sem expor nenhum dos internos.
A presença da câmera naquele local é curiosa e diversos internos a abraçam com intensidade. Alguns pedem para serem filmados, outros tentam permanecer sempre em foco, inclusive empurrando qualquer pessoa que possa estar estragando o seu enquadramento. Com momentos de pura poesia – a cena com a canção “Lágrimas Negras”, cantada por Gal Costa, é agridoce e intensa – A Loucura entre Nós é um documentário de rara sensibilidade, tocando em um assunto que, para muitos, é motivo de vergonha ou de descaso, mostrando o quanto é necessário tocar neste tema. O filme até pode demorar a deslanchar, mas quando o faz, é intenso e verdadeiramente impressionante.

Assista o documentário completo abaixo:


quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

CFP disponibiliza referências técnicas para atuação em Educação Básica

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), por meio do Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (Crepop), disponibiliza para a categoria a 2ª edição das Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogas(os) na Educação Básica.
A publicação foi lançada durante o XIV Congresso Nacional de Psicologia Escolar e Educacional (Conpe), no dia 30 de agosto de 2019. A primeira edição foi publicada em 2013.


Baixe o arquivo em PDF completo
As Referências Técnicas são produzidas a partir da metodologia do Crepop, buscando construir uma referência sólida para a atuação da(o) psicóloga(o) na área da educação básica. A proposta é de investigar a atuação de psicólogas(os) em políticas públicas específicas ou transversais pretendendo entender o núcleo da prática profissional da(o) psicóloga(o), considerando a exclusividade de cada área.
As Referências Técnicas para a Atuação de Psicólogas(os) na Educação Básica já estão disponíveis no site do CFP e você pode acessar aqui.
O Crepop – O Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas consiste em uma ação do Sistema Conselhos de Psicologia que dá continuidade ao projeto Banco Social de Serviços em Psicologia, acenando para uma nova etapa na construção da presença social da profissão de psicóloga (o) no Brasil. Constitui-se em uma maneira de observar a presença da(o) psicóloga(o) e do movimento da Psicologia em seu Protagonismo Social.
Este documento procura abordar a educação básica como direito humano fundamental, em uma perspectiva crítica, pautada na diversidade humana e protagonista nos enfrentamentos a preconceitos, racismos, pobreza e distribuição de renda. Para a atuação da Psicologia na educação, é necessário que as(os) psicólogas(os) trabalhem em consonância com a garantia desse direito fundamental, como apontam a Declaração Universal dos Direitos Humanos e o Código de Ética do Psicólogo, respectivamente:

Artigo 26:
1. Todo ser humano tem direito à educação. A
educação será gratuita, pelo menos nos graus elementares
e fundamentais. A educação elementar
será obrigatória. A educação técnico-profissional
será acessível a todos, bem como a instrução superior,
está baseada no mérito.
2. A educação será orientada no sentido do pleno
desenvolvimento da personalidade humana e do
fortalecimento do respeito pelos direitos humanos
e pelas liberdades fundamentais. A educação
promoverá a compreensão, a tolerância e a amizade
entre as nações e grupos raciais ou religiosos,
e deve desenvolver as atividades da ONU em
prol da manutenção da paz (ONU, 1947).
I. O psicólogo baseará o seu trabalho no respeito
e na promoção da liberdade, da dignidade, da
Referências Técnicas para atuação de psicólogas(os)
na educação básica 9
igualdade e da integridade do ser humano, apoiado
nos valores que embasam a Declaração Universal
dos Direitos Humanos (CFP, 2005).
A educação como direito fundamental foi, durante décadas, alvo de disputa na sociedade brasileira, prevalecendo a concepção de uma educação distinta a depender da classe social. Somente com a Constituição Federal de 1988, o Estado brasileiro define a educação como direito básico e universal. Desde então, se reconhece avanços no acesso ao ensino, porém quanto a sua qualidade os avanços aconteceram de forma tímida, e ainda bastante  marcados pelos determinantes econômicos, políticos e sociais. Mais recentemente, instala-se um intenso quadro de desinvestimento em políticas públicas que, aliado aos ataques à legitimidade da produção do conhecimento científico e ao questionamento da própria ideia da educação como direito universal, nos coloca diante de uma situação de sucateamento e desmonte qualitativamente diferente. Tal situação convoca as(os) psicólogas(os) a reafirmarem o compromisso com os princípios de uma educação democrática, defendendo a pluralidade e a diversidade humana. É urgente nos somarmos àquelas(es) que fazem a defesa veemente e cotidiana da educação como um direito humano.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

A Educação no Brasil de hoje

Trazendo uma análise sobre os fatos que estamos presenciando e também partindo de uma primícia de minha experiência pessoal no campo educacional. Percebe-se uma crise, essa crise, levo ela para o campo intelectual.




A pobreza é extrema, nunca se observou uma defasagem como essa presenciada atualmente. O campo da educação é muito amplo, totalmente extenso. Primeiramente, observamos o esquecimento na Educação Básica, indo além desde creches onde necessitam de um apoio efetivo, forçando uma base e estrutura que gera para o país.

O investimento em estrutura física deve ser pesado e levado em conta. Porém, a necessidade em ter profissionais capacitados é de extrema importância. Levando em conta, minha experiência no setor público, iniciando a atuação na Escola Municipal de Educação Básica Lizamara Aparecidada Oliva de Almeida. Pude perceber os "milagres" que os professores daquela Escola fazem diariamente. É indiscutível à atuação desses profissionais em meio à tanta adversidade e desafios. 

No entanto, cada escola, grupo, instituição possui sua dinâmica. Há uma resposta para tudo isso, que estamos presenciando?

Bom, indagações sempre existirão e sempre serão bem-vindas!
Nunca devemos deixar de fazê-las...

Dentro da profissão professor, eles estão fadados ao cansaço, somados a diversas inquietudes tem aumentado o índice de transtornos mentais na área da educação. Isso leva à muitos profissionais ter a Síndrome de Burnout. Atualmente estão sob pressão e stress constantemente.

Segundo ponto que trago nesse texto, são à respeito dos papéis que cada um desempenha ou busca desenvolver.
Qual é o papel do professor de hoje? Essa pergunta se estende e chega até a escola, família e aluno.

Qual é o papel da escola atualmente?

Qual é o papel da família atualmente?

E o qual o papel do aluno no cenário atual da educação?

Será que os papéis estão sendo realizados corretamente atualmente?

Tenho certeza que à Educação de 10, 20 ou 30 anos anteriormente não é a mesma de 2019. Precisamos rever  o Projeto Pedagógico e quais são as práticas voltadas para a Educação.O aluno de 10, 20 ou 30 anos anteriormente não é mais o mesmo da atualidade, os educadores, os professores também não. O conceito de família mudou, a escola se tornou o lugar onde todos esses afluentes se encontram e interagem, formando assim o conhecimento.




Espero mudanças nesse cenário atual brevemente partilhado. Para o governo atual percebo um leve descaso para a nossa tão sonhada Educação. As pautas à serem discutidas ainda não chegou no âmbito necessário para as devidas mudanças. Tendem à ser do âmbito da moral, ética, religiosidade, corrupção, economia entre outras. Não deixa de ser um bom debate. Contudo, esquecem que todo diálogo deve ser produzido por seres pensantes, com bom nível de percepção das reais dificuldades presentes. 



Por Jabner Gonçalves de Lima 



domingo, 15 de dezembro de 2019

Revista Diálogos - CFP | Psicologia e educação

Este número da revista DIÁLOGOS é um convite à reflexão sobre a importância da educação em suas múltiplas funções – processo social, política pública, contexto de exercício profissional da psicóloga. Para a construção de um panorama da área da educação e suas inter-relações com a Psicologia, contamos com as vozes de profissionais de todas as regiões do país que compartilharam suas opiniões e conhecimentos. 


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Abrimos a revista com um breve registro da história da psicologia escolar/educacional no Brasil, apresentada em termos de caracterização da área, percurso histórico, desafios e perspectivas futuras. Apresentamos um dos espaços de articulação das profissionais, pesquisadoras e estudantes que é Associação Brasileira de Psicologia Escolar e Educacional (ABRAPEE). A consolidação da área da psicologia escolar/educacional pode ser constatada também na realização frequente de congressos científicos, no número de dissertações e teses, na existência de grupos de pesquisa na Associação Nacional de  Pesquisae Pós-Graduação em Psicologia (ANPEPP) e na consistente produção de conhecimento divulgada em artigos e livros. 
Compreendendo que a atuação no âmbito educacional e escolar ocorre em um contexto sociocultural específico, é importante refletirmos sobre os impactos da conjuntura social e política da atualidade, uma vez que no período recente a educação tem sofrido uma série de ataques através de cortes de recursos públicos destinados à educação básica e ao ensino superior, da perseguição a profissionais da educação, do cerceamento ao livre exercício de cátedra.
Questiona-se, por que a educação tem sido alvo desses ataques? O que a educação representa? A busca por respostas passa pela problematização da relação entre desigualdade e educação, dos impactos da militarização das escolas públicas, do homeschooling e suas consequências para o processo de desenvolvimento de crianças e adolescentes, das violências e preconceitos na escola e dos processos de medicalização da educação e da sociedade.
Essas reflexões nos apontam que a potência da educação como processo que promove desenvolvimentos e aprendizagens é o que a faz alvo preferencial desses ataques. E é exatamente por essa potência que as estratégias de resistência e luta contra as opressões passam pela educação, contexto importante de construção de consciência crítica. 
Para demonstrarmos a importância da Educação para a Psicologia, situamos a escola como contexto privilegiado de desenvolvimento humano. No entanto, para que as escolas possam incluir a todas/os, é importante compreendermos sua complexidade. Para refletirmos sobre essa questão, são apresentadas experiências de profissionais que atuam no contexto escolar e não escolar em diversas regiões do país e que podem contribuir para a construção de uma escola-mundo onde caibam todos os mundos. Destacamos a importância das políticas afirmativas e de ações de promoção do acesso e permanência de estudantes LGBT, de negros, de pessoas com deficiências como estratégia de promoção do direito à educação de todas/os

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Psicologia Escolar: Que fazer é esse?

O CFP (Conselho Federal de Psicologia), está disponibilizando em pdf gratuito o livro "Psicologia Escolar: Que fazer é esse?". Fomentando à causa da PL 3688/2000 onde o projeto de lei foi aprovado, antes sendo vetado pelo Presidente Bolsonaro depois derrubado o veto pela câmara.


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O que faz alguém escolher se dedicar a Psicologia Escolar? 
Que sonho está embutido nesta escolha? 
Que fazer será este? 
Quais são os principais desafios desse percurso? 
Será possível encontrar o sucesso? 
Mas o que é mesmo sucesso?
Este campo de atuação profissional estaria configurado?

O fato é que nos últimos anos a Psicologia passou a ser uma das profissões mais escolhidas nos processos seletivos para os cursos superiores. O número de instituições de ensino com oferta de cursos de Psicologia igualmente se ampliou. Mas a formação voltada para a área da Psicologia Escolar e Educacional não ocupa, infelizmente, lugar de destaque entre os diversos conteúdos que são previstos nas grades curriculares. Muitos destes cursos assumem a opção de ênfase nos processo educativos sem, contudo, conduzir a formação e a prática voltadas para esta área, e o argumento que surge na maioria das vezes se relaciona à escassez do campo de trabalho na educação.

A Psicologia tem como marca a ampliação da sua atuação na esfera pública, contribuindo assim para a expansão da Psicologia na sociedade e ampliando o debate sobre Direitos Humanos, saúde, assistência social, jurídica, trânsito, etc, entretanto ainda não se consolidou a política pública que conta com psicólogos e psicólogas nas equipes multidisciplinares na educação básica, tanto para as escolas da rede pública, como para as escolas da rede privada.

Acompanhar, avaliar e orientar uma atuação de psicólogos e psicólogas para a área de Psicologia Escolar e Educacional são grandes desafios na atualidade, desafios estes assumidos pela equipe gestora do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que incluiu no seu Planejamento Estratégico para a gestão do XVI Plenário ações organizadas por meio da Comissão Nacional de Psicologia na Educação (PSINAED).

A PsiNaed nasce assim buscando integrar os debates realizados anteriormente no CFP, na academia e no campo político que norteou a aprovação do Plano Nacional de Educação (PNE) previsto para o período de 2004 à 2014, e buscou alinhar suas ações com as metas para a educação no Brasil.

São várias as estratégias utilizadas pela PsiNAed para avançar diante do panorama que se desenha para a área da Psicologia Escolar e Educacional, incluindo a realização mensal de reuniões e debates on line, a criação de um portal (psinaed.cfp.org.br), participação em eventos científicos, etc., buscando colocarem pauta temas importantes para a área. E neste contexto surge também a oportunidade de apresentar este livro com o objetivo de ampliar as reflexões sobre a prática.

Esta obra é integrada por três partes. A conexão dos textos bem como a ordem de apresentação, segue a seguinte lógica expositiva: a primeira concebe estudos teóricos voltados para o campo da Psicologia na Educação; a segunda tem como escopo abordar as questões relacionadas à educação inclusiva e a terceira parte se refere a experiências profissionais no campo. 

A primeira seção reúne uma série de textos que se propõem a realizar uma revisão teórica sobre as bases que orientam o campo da Psicologia na Educação, e assim a denominamos “Reflexões teóricas sobre a Psicologia na Educação”. Inicia no primeiro capítulo, pela atual coordenadora da comissão, professora Raquel Guzzo, com a apresentação de estudo sobre indicadores de risco e proteção subsidiando uma possibilidade de intervenção da psicologia na escola de forma crítica e emancipadora. No segundo capítulo Rosângela Francischini e Eudes Alencar com um estudo teórico baseados em Lev Vigotski e Henri Wallon nos proporcionam maior compreensão sobre as contribuições destes dois teóricos da psicologia crítica para a educação. Em seguida, no terceiro capítulo Meire Viana compartilha reflexões sobre as interfaces entre a Psicologia e a Educação visando efetuar distinção entre o fazer pedagógico e o fazer psicológico. Encerrando este bloco, e abordando um dos grandes desafios atuais deste campo, teremos a oportunidade de conhecer as avaliações do ponto de vista econômico e político, realizados por Silvana Souza e Silvia Yannoulas, que norteiam o caminhar difícil e moroso do Projeto de Lei nº 3688/2000 que prevê a criação de equipes multidisciplinares, incluindo a Psicologia, para atuação na Educação Básica. 

A segunda seção buscou reunir textos que apontam para os caminhos possíveis para o processo de inclusão no processo educativo, e o título adotado foi: “A psicologia diante dos desafios da Educação Inclusiva”. Assim, no quinto capítulo, Maria Cláudia Oliveira e Sueli Dias buscam compartilhar reflexões sobre a inclusão como um aspecto relacionado ao processo de desenvolvimento humano. Em seguida Ariadyne Luz nos apresenta no sexto capítulo, uma experiência de atuação profissional em Psicologia Escolar junto à Prefeitura Municipal de Paracuru, no litoral do Ceará.

Buscando situar o leitor com relação à realidade dos educadores com relação às questões de inclusão, Vanuza Sales e Carla Tercino sétimo capítulo compartilha estudo sobre as concepções de professores da rede pública do Distrito Federal, como um exemplo de reflexão. No oitavo capítulo, Maria Cláudia nos ilustra com relação às interfaces da Educação com o Sistema de Justiça nos eixos dos processos socioeducativos. Agora no nono capítulo se coloca em cena o desafio do processo da inclusão nas questões étnico raciais, para as quais Adna Fontenelle e Aline Melo avaliam os desafios para o cumprimento da Lei 10.649/03 e também da Lei 11.645/08, para além das questões curriculares, atingindo os processos de intervenção em Psicologia Escolar. 

Buscando apresentar experiências de profissionais da área, a terceira seção foi denominada “Compartilhando práticas em Psicologia Escolar”. Iniciando este bloco, no décimo capítulo Márcia Cipriano nos apresenta como pensar a intervenção em Psicologia Escolar a partir da reflexão sobre o trabalho docente e da contribuição da interação e afetividade no processo de ensino aprendizagem. Em seguida, no décimo primeiro capítulo, Ligia Rocha e Claisy Marinho Araújo, compartilham experiências práticas em Psicologia Escolar junto aos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia (IFETs). Considerando que são reduzidas as experiências práticas em Psicologia Escolar no universo do ensino público, Fabíola Bra Aquino e Lorena Rodrigues, nos apresentam, no décimo segundo capítulo, uma oportunidade importante de experiência por meio de “Estágios Supervisionados”, inclusive como oportunidade de sinalizar o papel do profissional de Psicologia na Educação. E finalizando os trabalhos, no décimo terceiro capítulo se aborda um tema extremamente importante e urgente para as escolas, no qual Ana Fontes, Amanda Paiva, Clarice Devêza e Rafaela Maurício, apresentam reflexões sobre Agressividade entre pares, mas conhecido como Bulliyng, baseadas na interface da Psicanálise com a Educação. 

Convidamos assim os leitores para esta viagem sobre as possibilidades e os desafios da inserção da Psicologia no campo da Educação. Neste percurso existem sonhos que nasceram das experiências teóricas e práticas de várias regiões do Brasil. É um processo ainda em construção, mas nós que aqui representamos a PsiNAed, com o apoio do CFP, buscamos iniciar.


Meire Viana e Rosangela Francischini
Organizadoras


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COMO MANTER A CALMA EM MEIO AO CAOS?

Vivemos tempos em que o caos parece ter se tornado parte da rotina. Em meio a atendimentos no consultório, reflexões pessoais e relatos clín...